Realiza-se um sonho…

Eu  costumo dizer que nasci do lado errado do mundo… Tenho profunda admiração pela cultura oriental; a  filosofia, a disciplina, as religiões, símbolos e tradições desse povo transmitem uma sabedoria que me toca a alma. Conhecer a Ásia era um sonho antigo, mas sempre adiado porque faltava tempo, dinheiro, companhia, coragem… Até o dia em que transformei o sonho em meta –  e a experiência de estar nesse continente  superou todas  minhas expectativas.

Em Novembro  de 2015 realizei a  viagem mais incrível da minha vida e  partir dessa jornada de 38 dias, brotou a ideia do blog. Estar do outro lado do planeta, me desconstruiu em muitos aspectos, e mais do que nunca, me fez refletir em quão limitada é nossa visão de mundo, em como somos moldados conforme valores e costumes que julgamos absolutos se não nos permitirmos olhar o diferente.

Portanto, preparem-se para muitas postagens sobre esse tema nos primeiros meses do blog. Desde já, peço desculpas pelas informações  que não tenham sido registradas, pelas fotos não tiradas e detalhes esquecidos,  pois não imaginávamos que, alguns meses depois, nossa aventura estaria publicada, sendo revivida por quantos mais compartilhem desse sonho e desejem se aventurar por essas bandas.

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Eu no Templo da Leitura, Hanói. Literalmente, rindo pras paredes! 🙂

 

 

Turismo Internacional

Quando  digo “se aventurar”,  considerem o melhor sentido possível para a expressão, pois ao  contrário do que se imagina no Brasil, essa região  oferece inúmeras opções para turismo e é mais segura que muitos destinos corriqueiros. Os atrativos vão de belezas naturais a programas culturais e históricos, passando por gastronomia, esportes de aventura  até resorts e cruzeiros de luxo. Tem diversão pra todos os gostos!!

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Balões em Bagan

Claro que nem tudo são flores, e quem vai pra um lugar tão diferente, viajando por países subdesenvolvidos (como o nosso), tem que estar disposto a passar por alguns perrengues.  Mas milhares de turistas visitam esses países anualmente e, definitivamente, não é um destino exclusivo para mochileiros e aventureiros.

Ao longo dessas 5 semanas, cruzaram nosso caminho viajantes  de todo tipo e nacionalidade: grupos de meia idade  fugindo do inverno europeu, casais jovens em lua de mel, mochileiros do leste europeu, mulheres viajando sozinhas, japoneses viajando em família, pessoas que deixaram sua terra natal para morar na região,  casais e turmas de amigos indianos,   gente que vendeu tudo o que tinha pra viajar pelo mundo por meses ou anos,  jovens brasileiros que vivem na Austrália, nepalenses em  jornada religiosa, e  claro,  pencas de chineses e coreanos disputando espaço para as melhores fotografias. Enfim, pessoas de todas as idades e perfis, obviamente com roteiros e prioridades bem distintas entre si.

 

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Rayley Beach

Faço essa introdução porque durante os preparativos, muitas pessoas me olhavam com assombro quando eu comentava o destino escolhido e  ouvi inúmeras vezes  perguntas  do tipo: “é sério?“, ” mas o que você vai fazer lá?“, “de onde você tirou essa ideia?”,   “Vietnã, você é louca?”, “é algum congresso? trabalho social?” , “você não tem medo?”  e eu confesso que sim, tinha um monte de receios quanto à segurança, qualidade dos transportes, risco de doenças, tipo de comida  que teríamos que encarar, clima, comunicação, vestuário, situação política dos países que ainda vivem sob ditaduras comunistas, etc. Contudo,  ao longo das postagens vocês vão perceber, assim como nós, o quanto nosso imaginário coletivo  é injusto com essas nações,  e como viajar pela Ásia pode ser fascinante pra qualquer tipo de turista que esteja disposto a olhar.

Diante  das primeiras expectativas, meu primeiro grande desafio foi conseguir parceria para essa empreitada. Alguém que tivesse disponibilidade de tempo, reservas econômicas e vontade de desbravar esse pedacinho do continente amarelo. Meu esposo não poderia me acompanhar devido a compromissos no trabalho (e mais medo do que eu, hehehe),  minha mãe desistiu  no último minuto (deixa ela comigo…), e então iniciei verdadeira campanha entre amigos e familiares até  convencer  um queridíssimo casal de tios a embarcar comigo nessa aventura. Zizi já havia sido minha parceira na viagem para Peru e Bolívia, mas dessa vez arrastamos também o Tio Sardinha.  Pensem em duas figuras  perfeitas pra essa viagem, são eles!

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Zizi e Darci Sardinha, meus companheiros de aventura

Mas Afinal, o que é o tal Sudeste Asiático?

 

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Sudeste Asiático

A Ásia é o maior de todos os continentes, tanto em território como em população,  e a região conhecida como  Sudeste Asiático inclui onze países  peninsulares (continente)  e insulares (ilhas). Estão localizados entre China, Índia e  Oceania e são  banhados pelo Oceano Indico, como podem ver na imagem acima.

Com exceção de Singapura, que faz parte do Tigres Asiáticos, todos os demais são países subdesenvolvidos, com até  70% da população vivendo  na zona rural. A maioria deles vive sob regimes mais ou menos totalitários, e ainda ostentam bandeiras vermelhas com a foice do comunismo. Isso não chega a ser um problema para os viajantes, desde que alguns limites sejam respeitados (falarei sobre isso nos posts de cada país). Trabalho infantil, falsificação de produtos, trabalho escravo, exploração sexual,  maus tratos a animais e milhares de pessoas mutiladas por minas terrestres são outros problemas frequentemente denunciados na mídia internacional, mas a beleza e o encanto deste lugar supera  com folga todos problemas sociais e políticos da região.

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11 Países do Sudeste Asiático

Diante de tantas opções, é simplesmente impossível esgotar toda a região em uma única viagem, a não ser que você dedique alguns meses (ou anos) a isso.  Escolher os países a serem visitados, as cidades e passeios em cada um deles  além de toda a logística envolvida, pode ser um processo trabalhoso, mas é extremamente gratificante ver o resultado desse trabalho se concretizando do jeitinho que você imaginou.

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Budha Park em Vientiane, capital do Laos

Por  isso, o  próximo post será dedicado à essa fase de planejamento. Lá, vou falar um pouco mais sobre  aspectos gerais do Sudeste Asiático e faço a sugestão de um cronograma de organização com  10 dicas (de ouro!) para quem quer montar seu  próprio roteiro.  Se você já está sonhando com esse destino,  aguarde as cenas do próximo capítulo.

*Fotos:  Fernanda Carvalho