10   Passos  para  Organizar  seu  Roteiro   para o Sudeste Asiático

Bem, na última postagem falamos sobre os 5 primeiros passos para organização de um roteiro personalizado para o Sudeste Asiático. Se você está chegando agora ao blog sugiro que leia primeiro a  Parte I e Parte II,  antes prosseguir com a leitura.

1- Tour Virtual

2- Quando ir

3- Quantos dias você tem?

4- Pré-requisitos

5- Qual seu roteiro ideal?

Hoje, na terceira e última parte sobre este tema,  vamos finalizar os 10 passos para que a sua viagem dos sonhos possa sair do papel e se tornar realidade.

6- Defina marcos

O “mapa” criado lá no quinto passo, provavelmente extrapola os dias e o orçamento da maior parte dos nós, meros mortais viajantes. Por isso, é importante ter em mente aqueles pontos que você escolheu no primeiro tópico (lugares imperdíveis – aqueles que fazem seu coração palpitar e que não podem ficar de fora do seu roteiro!) . Eles devem funcionar sempre como a linha mestra em torno da qual todo o roteiro será organizado, mas dessa fase em diante é necessário estabelecer  também outros marcos que vão direcionar suas escolhas.

– O primeiro deles é a passagem de ida e volta para o Brasil. Além de ser a parte mais cara da viagem, a partir dessa decisão você saberá exatamente quantos dias terá sua viagem e por onde você chega e sai da Ásia. A maioria dos vôos que partem do Brasil para o Sudeste Asiático, chega e sai por Bangkok ou Hanói, os dois hubs aeroviários da região, e essa escolha vai determinar por onde começar sua jornada. Nesse trajeto, algumas pessoas aproveitam a escala na Europa, Dubai ou África do Sul pra conhecer outro destino e descansar um pouco antes de encarar o segundo (e também longo) vôo para a Ásia, mas essa decisão vai reduzir os dias disponíveis no seu destino final, portanto avalie suas prioridades.

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Hanói e Bangkok, os dois hubs aeroviários do Sudeste Asiático

– Marque no seu calendário  datas comemorativas e eventos  com datas pré-definidas que exijam que você esteja em uma determinada cidade naqueles dias. Exemplos: Full Moon Party em Koh Paghan, comemoração do aniversário de casamento em Phi Phi, Réveillon em Bangkok, Festival de Lanternas em Chiang Mai, etc. Garanta os ingressos para os eventos que possam se esgotar.

No meu caso, comprei os tickets para o Yee Peng (Festival de Lanternas) antes mesmo da passagem aérea, porque era o pré-requisito numero 1 pra fechar a decisão de ir pra Ásia. Depois comprei passagens com ida e volta por Bangkok (por ter sido a opção de menor custo na época),   e ajustei a data para que houvessem alguns dias de intervalo entre nossa chegada e o festival. Essa escolha já limitou quantos dias teríamos em Bangkok, e o segundo destino na viagem passou a ser, obrigatoriamente, o norte da Tailândia, onde acontece o Yee Peng. Lembre-se que imprevistos acontecem, por isso programe-se sempre para chegar com um ou dois dias de antecedência na cidade do evento.

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Tickets para o Festival de Lanternas

7 – Monte o quebra-cabeça

Até agora você já tem definidos:

A) O que gostaria de fazer?

-os países a serem visitados,

-as cidades e atividades mais recomendadas em cada um deles ,

-o tempo recomendado e o custo médio para cada atividade.

B) O que dá pra fazer?

– ponto de chegada e partida na Ásia (passagens internacionais)

– o número de dias líquidos (lembre-se de descontar os dias de chegada e partida/fuso-horário/recuperação do jet lag)

– os eventos com data fixa (compre os tickets mais importantes)

– orçamento disponível (extremamente pessoal e variável)

Então é hora de iniciar a fase mais trabalhosa, na minha opinião: definir a sequência do roteiro, os meios de transporte de uma cidade para outra e começar cortar aquilo que não cabe. É trabalhoso porque nem sempre existe transporte entre cidades que você gostaria de fazer na sequência, especialmente de um país para o outro, e isso te obriga a incluir ou eliminar destinos, inverter a ordem das coisas ou remanejar a quantidade de dias em cada  lugar. Outras vezes o transporte existe mas o preço é salgado, ou tem bom preço mas te tomaria muito tempo no deslocamento. Essas decisões são muito individualizadas e vão variar conforme tempo e dinheiro disponível, perfil do viajante e prioridades.

olhares pelo mundo air asia low cost

Nessa fase, lemos muitos relatos que nos desmotivaram a encarar transportes terrestres na Ásia, devido às condições das estradas, precariedade dos vagões, longa duração das viagens, questões de segurança e dificuldades nas fronteiras quando o ingresso no país se dava por meio terrestre. (Lembrem-se que eu estava viajando com um casal de tios! Não dava pra encarar qualquer opção.) Isso somado ao curto espaço de tempo que tínhamos para visitar 5 países, nos levou à decisão de fazer todos os trechos de avião. Se você fizer a mesma escolha, vai ecomizar boa parte  do trabalho de pesquisa nessa fase do planejamento, mas saiba que essa decisão pode impactar  o seu custo final.

Quando for iniciar a pesquisa,  faça buscas do tipo: “como ir de Chiang Mai para Bagan?”, “mapa de trens na Tailândia”, “meios de transporte da Tailândia para Myanmar”, “vôos de Bangkok para Laos”, “Hanoi para Hoi An de trem ou avião?”, etc,  para cada trecho, entre cidades ou países.

Cabe ressaltar  que ao fazer alguns trajetos por terra, ficamos surpresos com a qualidade das estradas e organização dos meios de transporte,  em geral, muito superiores a países da América Latina, inclusive Brasil. Mas reafirmo aqui que fizemos apenas pequenos deslocamentos de carro ou van,  então não posso opinar sobre a condição das estradas em percursos maiores. Pra quem tem bastante tempo e pretende passar alguns meses viajando pela região,  ou pra quem está planejando uma viagem com orçamento mais apertado, o leque de opções para transporte é bem variado e as passagens de trens e ônibus podem ser compradas no local sem grandes dificuldades (execto em datas comemorativas).  Nessas duas situações  eu recomendaria sem receio algum que pelo menos parte dos traslados fosse feita por meios terrestres ou barco, tanto pela economia, quanto  pela experiência de vivenciar um pouco mais a realidade local e conhecer outras coisas pelo caminho.

Por outro lado, poupa-se muito, muito tempo viajando de avião e isso deve ser considerado na relação custo-beneficio. Seria simplesmente impossível fazer tudo que fizemos nesses 38 dias viajando de ônibus, trens ou barcos. Pra quem, como nós, quer priorizar o tempo disponível pra visitar o máximo de lugares possíveis, siga direto para os sites de companhias aéreas, que são muitas e funcionam super bem por lá. Com pouca bagagem é possível voar nas low costs por preços atrativos que, em alguns casos, chegam a ser mais baratas que  outros meios de transporte.

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Aeroporto internacional de Bangkok – Suvarnabhum

Existem  muitas empresas aéreas que operam no Sudeste Asiático, mas nenhuma delas opera todos os trechos. Sites como Skyscanner, Matrix, Kayak, Jetcost, etc podem ajudar a descobrir que empresas operam em cada trecho (existem também blogs com informações valiosas nesse sentido), mas na comparação de preços, vale  a pena pesquisar as tarifas diretamente nos sites de cada empresa.  Acabamos fechando a maior parte dos vôos pela Air Asia e Bangkok Airways, que estão entre as maiores  da região e cobrem a maior parte dos trechos e  horários que precisávamos.

Última dica importante nesse tópico: escolha vôos no início ou final do dia, pra que não se perca um dia inteiro por conta de um vôo de 1h/2h no meio do dia (mesmo que isso signifique passagens um pouco mais caras).  Pelo mesmo motivo, para viagens de trem ou ônibus,  dê preferência às noturnas e ainda economize em hospedagem, a não ser que o visual da estrada compense o dia de viagem. Como são muitos os deslocamentos, esse cuidado é importante pra não perder muitos dias por conta dos traslados.

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Travessia do Rio Mekong

8 -Seguro Viagem e Hospedagem

Com o roteiro já definido e datas de chegada e partida fechadas, contrate o seguro viagem. Sempre pesquiso pelo site Assistente de Viagem,  que permite rápida cotação e comparação entre diversas seguradoras e planos. Observe que pequenas diferenças de preço, podem significar grandes diferenças de cobertura.

Ao fechar o seguro, atenção para preencher corretamente os dados pessoais, datas, e outras informações, pois erros de preenchimento podem implicar em falhas na cobertura,  e após emissão da apólice, nem sempre é possível modificá-la. Sugiro ainda que estenda seu seguro de 1 a 2 dias além da data do regresso, para não ficar descoberto em caso de alterações de vôo, extravio de bagagem e outros imprevistos.

O segundo item dessa etapa de planejamento é a escolha de onde se hospedar. No nosso caso, já viajamos com todas as reservas antecipadas, mas com exceção das ilhas na Tailândia, onde a procura nessa época é imensa, nas demais localidades teria sido possível conseguir um hotel na chegada à cidade.

Então, o que recomendo? Pra quem tem tempo e quer desbravar cada ponto sem data certa, é tranquilo conseguir hospedagem in loco na maioria das cidades. Porém, se mais uma vez, a prioridade é otimizar o seu tempo, faça as reservas do Brasil e viaje com tudo fechadinho pra não perder horas procurando hotel na chegada em cada cidade. Na pior das hipóteses, vá reservando com antecedência ao longo da viagem. Eu tinha muito receio de que não tivéssemos fácil acesso à internet para pesquisas e reservas on-line ao longo do caminho, mas (para nossa alegria), todo hotel e restaurante tinha Wi-Fi! :-). Só considera ejetar isso também demanda tempo (valioso) de pesquisa e reduz o número de hotéis disponíveis pela proximidade das datas.

Para se ter uma ideia da economia de tempo, muitas vezes deixávamos a bagagem no hotel cedinho e já saímos pra cumprir o roteiro do dia antes do horário do check in, o que seria inviável se tivéssemos que sair pela cidade com taxistas que mal falam inglês procurando por um lugar pra ficar. Outras vezes, chegávamos nas cidades tarde da noite, sonhando com um chuveiro e uma cama após um dia cansativo, e nada melhor nessas horas do que um destino já definido.

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Usei para a pesquisa de hotéis  os sites do Tripadvisor, Agoda, Hotéis.com, Trivago, etc. Mas acabei fechando a maior parte das reservas pelo Booking, por oferecer os melhores preços, facilidade na busca e  cancelamento gratuito para vários estabelecimentos.

Fique atento ao  comparar os preços entre estes sites, pois alguns  deles não incluem taxas e impostos no valor anunciado,  e só é possível ver o valor total quando se chega na última etapa da reserva. É o que acontece por exemplo com o Agoda e Hotéis.com, e essa é, na minha opinião, outra vantagem do Booking em relação aos demais sites, pois não se perde tanto tempo em cada busca, você já sabe de cara o valor total em reais ou dólares ao visualizar as opções. Na época em que fiz essa comparação, os sites que pareciam oferecer um preço melhor para o mesmo hotel acabavam empatando ou ficando mais caros  na maior parte das vezes. Então lá pelo 5 hotel, eu desisti de comparar todos e passei a usar apenas Tripadvisor /Booking. Das 15 reservas de hospedagem, apenas uma foi feita pelo Agoda e outra diretamente pelo site do hotel. Em ambos os casos, não havia conseguido vagas pelo Booking no hotel pretendido, nem encontrei por lá outra opção com  custo-beneficio semelhante.

Então, pra sistematizar a busca por hotéis, sugiro:

– primeiro pesquise no Google: “onde se hospedar na cidade X” ou “melhor localização para hospedagem na cidade Y”, “em que região ficar na cidade Z”, etc.

– Use o Tripadvisor/Booking para ver comentários gerais, notas, fotos e avaliação dos usuários. O Tripadvisor também  é muito  útil para indicação de atividades em cada região da cidade, e isso também ajuda a escolhe onde ficar  de acordo com seus objetivos.

Utilize filtros de busca para definir localização, faixa de preço e outros aspectos que sejam do seu interesse (ar condicionado, piscina, café de manhã, Wi-Fi, etc).

– Dê preferência a reservas que permitam alteração/cancelamento gratuito, para evitar prejuízos em caso de mudanças de vôos ou outros imprevistos.

– Cumpra essa etapa em paralelo à anterior, definindo os hotéis em cada trecho onde você já tenha definido data de chegada e partida pela compra de passagens. Isso facilita a organização e torna o processo menos repetirivo. Além disso, a viagem vai se tornando mais concreta à medida em que todas as reservas daquela etapa vão sendo definidas. (Faz um bem danado ver as coisas saindo do plano das ideias e viando realidade, sabe?)

9 – Organize o roteiro dia a dia

Ao término das etapas 7 e 8, o esqueleto seu roteiro está pronto. Datas de chegada e saída definidas, todas as passagens e hotéis reservados, seguro de saúde ok. (E a vontade de viajar transbordando!!). Então vamos rechear o esqueleto!

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Luang Prabang, Laos

Da mesma forma que não é possível incluir todos os países e cidades, também não é possível incluir nos dias disponíveis tudo o que há pra se fazer em cada destino. Portanto,   segue-se aqui a mesma lógica aplicada anteriormente: liste os tópicos imperdíveis em cada cidade por onde você vai passar, acrescente outros possíveis, elimine o que não te interessa ou não cabe nos dias planejados, avalie tempo gasto para cada atividade, incluindo deslocamentos, e deixe folgas para imprevistos e descanso entre as atividades.

Nessa etapa é interessante fazer contato com empresas locais e verificar a necessidade de contratação de passeios ou transfers com antecedência. Para nossa viagem reservei com antecedência: o transporte de Chiang Mai para o Festival de Lanternas (com os ingressos já comprados), o passeio de balão em Bagan e o cruzeiro pela Baía Halong. Os demais passeios fechamos sempre ao chegar em cada cidade, e na maioria das vezes não houve dificuldade, mas deixamos de fazer algumas coisas por não termos feito a reserva prévia, dentre elas: as fazendas de elefante mais recomendadas em Chiang Mai não tinham mais vagas para os dias que estávamos por lá;  os guias que nos recomendaram para o Angkor estavam indisponíveis; não consegui vaga no barco que pernoita em Maya Bay. Por isso, reserve tudo que seja imprescindível na sua viagem com antecedência.

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Cruzeiro por Halong Bay, norte do Vietnã

10 – Organize suas reservas

Bem, pode parecer óbvio, mas organizar todas essas reservas é parte essencial do seu planejamento. Hoje em dia, os smartphones permitem armazenamento de todas as informações, mas ter os dados em mãos pode fazer muita diferença. Por isso, organize uma pasta com todos os e-mails de confirmação, tenha os aplicativos instalados para consulta rápida, mas faça também impressão de todas as reservas, vouchers, seguro, telefones importantes e um resumo do seu roteiro, (sempre que possivel, na língua local, senão, em inglês.)

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Reservas e vouchers impressos e organizados cronologicamente

Pra quem acha um desperdício de papel e tempo, considere as seguintes situações hipotéticas (mas bem possíveis):

-Você passou o dia em um passeio e vai direto para o aeroporto com o tempo cronometrado, na hora do check-in seu celular está sem bateria e por algum motivo não localizam sua reserva pelo passaporte (aconteceu com a gente no Vietnã).

– Em Yangon,  você  mostra um mapa para o taxista, apontando a localização do hotel, e ele não lê uma única palavra no nosso alfabeto nem entende o gráfico só mapa.  (Aconteceu em vários lugares, mas especialmente em Myanmar).

– Ou ainda pior, você perde ou quebra seu celular durante a viagem. (O meu caiu e quebrou apenas a câmera, poderia ter sido pior)

– Você passa mal ou sofre um acidente e quem te socorre encontra (ou não) o voucher do seguro saúde e o telefone da embaixada entre seus documentos.

Esses são apenas alguns exemplos para justificar o “backup” impresso de todas as informações valiosas. Após impressão, organize tudo em ordem cronológica, na sequência em que serão utilizadas as reservas aéreas, transfers, hotéis e tickets, e separe cada país em um bloquinho de fácil identificação. Eu sempre uso um marca texto para destacar os dados mais importantes como datas e horários, pois no meio de tantos papéis é fácil se confundir.

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Vôos, hotéis, traslados e tickets separados por país, na sequência do roteiro 

Depois de tudo organizado, peça ajuda de alguém para conferir se a sequência das reservas coincide com planejado no roteiro. Cheque se as datas de entrada e saída nos hotéis estão de acordo com as passagens, se os tickets estão com a data correta, confira o número de pessoas, etc. Se estiver tudo ok, parabéns! Seu roteiro está pronto!!

Hora de pensar na mala, nos outros documentos, kit de primeiros socorros… Mas esse tema fica pra depois! Na próxima postagem vou mostrar como ficou o nosso roteiro pra começarmos nossa aventura pelo Sudeste Asiático.

E então, as dicas foram úteis? Tem sugestões para organização de roteiros? Deixe seu comentário! Vou adorar aprender novas estratégias ou saber que ajudei na sua viagem . Grande abraço, e até a próxima página!

OBS: O Blog não tem nenhuma relação comercial ou parceria com os sites citados (mas adoraria ter! Rs! Aceito dicas para blogueira de primeira viagem!). Todos os relatos foram baseados em minha experiência e opinião pessoal.

*Fotos:  Fernanda Carvalho