Bangkok, Tailândia 

O frio de Amsterdam foi nossa despedida dos casacos por um longo período. Desembarcamos no calor úmido de Bangkok, onde a validade de um banho não dura meia hora, e nos deparamos com um aeoroporto gigantesco, moderno e com gente do mundo todo circulando por ali. Estamos falando do Suvarnabhumi (BKK), que opera a maior parte dos vôos internacionais na Tailândia e é o maior e mais moderno aeroporto da região.

Mas vale lembrar que  Bangkok possui dois  aeroportos.  O  Don Mueang (DMK) é menor e mais antigo, mas nem por isso menos utilizado. Ele é responsável por praticamente todos os vôos internos e boa  parte dos vôos  internacionais dentro da própria Ásia. (Fique atento a esse detalhe quando for organizar  as conexões em seu roteiro.)

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Aeroporto Internacional Suvarnabhumi (BKK)

Logo após o desembarque, todos os viajantes devem se dirigir ao posto de controle sanitário (Health Control), antes mesmo de passar pela imigração. Se desembarcar por lá, lembre-se dessa informação, por que cada coisa fica pra um lado, e se você for diretamente para a imigração terá que fazer todo o caminho de volta até o Health Control.  No posto de controle sanitário, o Certificado Internacional de Vacinação é conferido e eles entregam um documento comprovando a checagem para, aí sim,  darmos sequência aos  trâmites de imigração e alfândega.

Apesar da grande quantidade de pessoas na nossa chegada, todos os procedimentos foram rápidos e sem complicações. Para turistas brasileiros, o visto tailandês não é necessário, então isso ajuda um bocado a ganhar tempo com a burocracia.

Admitidos em solo Tailandês, encontramos nosso anfitrião, Kampo (um japonês-advogado-esperantista que vive temporariamente na Tailândia com a esposa Yuri, e que nos hospedou durante nossa passagem por Bangkok). Mas quando enfim achamos que estava finalizada nossa saga, mais uma longa viagem nos esperava. O aeroporto fica a cerca de 30Km da cidade, e pra chegar ao nosso endereço, encaramos tantos trens, metrôs e caminhadas arrastando aquelas malas, que eu seria incapaz de explicar como foi esse trajeto, guiado por nosso amigo japonês.

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Kampo, nosso anfitrião, e os tios Sardinhas

Já faço aqui uma observação sobre nosso primeiro erro nessa viagem: malas. Putz… Porque?!  Dica n° 1: mochila, pessoal… Mochila…

Dica n°2: os trens e metrôs são super práticos, limpos e confortáveis. Vale a pena utilizá-los pra economizar nesse trajeto para o centro da cidade. O percurso dura mais de uma hora de táxi, mesmo pelas vias expressas, devido ao grande fluxo de veículos e engarrafamentos em Bangkok.

Dica n°3no próprio aeroporto é possível adquirir chips 3G para os celulares. Existem pelo menos três empresas de telefonia, com algumas diferenças quanto ao alcance do sinalada devem ser consideradas de você vai para outras regiões da Tailândia.

Dica n°4: No aeroporto, também  é possível fazer câmbio, mas como regra pra qualquer cidade, troque o mínimo possível  de dinheiro, apenas para as despesas mais imediatas, e procure na cidade uma casa de câmbio com cotação mais interessante.

Dica n°5: existem ônibus gratuitos que fazem transfer de um aeroporto a outro, mas é necessário um comprovante de que seu vôo sai do aeroporto de destino, para que autorizem o embarque nos ônibus. Pela internet é possível consultar os horários em que esse transporte está disponível.

Como Kampo se encarregou das nossas passagens, fizemos o câmbio apenas no centro da cidade. A moeda na Tailândia é o Baht, e quando viajamos, a relação era  1 real = 9,32 baht ,  hoje a cotação está um pouco melhor  (1 real = 10,63) então na prática, divida todos os preços por 10 pra uma conversão mental imediata.

Uma curiosidade sobre a moeda tailandesa é o fato de ser a única, dos 5 países que visitamos, que circula com cédulas e  moedinhas. Nos demais países, o dinheiro vale tão pouco que as moedas saíram de circulação. Outra informação importante é que todas as cédulas e moedas têm a imagem do Rei estampada, e na Tailândia existem leis que podem levar pra cadeia pessoas que desrespeitem a imagem da família real ou de Budha.

Embora o monarca esteja bem velhinho e doente, ainda é venerado pela população, e sua imagem e seus símbolos estão por toda parte em Bangkok. Na prática, o país é governado por uma junta militar, e o rei tem pouco poder político, mas é ainda um símbolo nacional, extremamente respeitado e querido por todos.

Mas vamos voltando à  nossa história…  Após quase 40 horas de viagem, entre traslados, vôos, imigração e câmbio,  enfim, “lar, doce lar”! Nos hospedamos na casa dos amigos esperantistas 💚, Kampo e Yuri, e esse detalhe fez de nossa passagem por Bangkok uma experiência única! Imaginem a torre de babel na mesa de jantar onde se falava Português, Inglês, Japonês, Tailandês e Esperanto! Isso com direito a comida japonesa/tailandesa, apresentação de  flauta doce e cerimônia do Loi Kratong. Simplesmente emocionante e inesquecível.

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Esperantistas em Bangkok

Mas tenho que admitir que meu primeiro contato com a cidade Bangkok foi um tanto quanto decepcionante. No deslocamento do aeroporto até o apartamento, achei tudo muito “normal”, nada de construções ou pessoas exóticas. Aeroporto, arquitetura, meios de transporte, vestuário; tudo bem ocidentalizado, muita gente falando inglês, outdoors de multinacionais, jovens com seus smartphones, etc.  Não sei se  foi o sono, o cansaço ou jet lag das primeiras horas,  mas  essa impressão foi completamente desfeita  nos dias seguintes.

A primeira evidência de que estávamos, de fato, do outro lado do mundo,  veio com o tradicional cumprimento tailandês, o Wai: com as mãos unidas como em prece, na altura do coração, do nariz ou da testa,  abaixa-se a cabeça em reverência . Quanto mais alto forem posicionadas as mãos, e quanto maior a inclinação do tronco, maior o sinal de respeito. Geralmente reserva-se o cumprimento na altura da testa para os monges, que são considerados representantes divinos, e neste caso, a reverência é um pouco mais longa.  Os monges não são obrigados a retribuir o cumprimento, mas em qualquer outra situação é extremamente rude  deixar de responder ao wai.

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Junto ao gesto  pronuncia-se  a primeira palavra que qualquer  turista na Tailândia tem obrigação de aprender, Sawadee Kha (se você é mulher), ou Sawadee Khrap (no cumprimento masculino). A pronúncia na verdade é assim beeeem cantada e esticadinha no final: “Sau-a-di-káaaaaaaaaaaaa” (eu queria poder incluir um áudio aqui no texto pra vocês entenderem… rs!!). A expressão é usada como bom dia, boa noite, olá, etc., mas perguntamos o significado aos locais, e nos explicaram que seria algo como “que o sagrado esteja com você”ou “que seu dia seja abençoado”.  Agora imagine entrar numa loja, restaurante, banco ou qualquer outro local e ser saudado dessa forma? Gente, é muito, muito bonito!

E à medida em que fomos caminhando pela cidade, Bangkok  se revelou muito menos convencional do que imaginávamos.  Começando pelo café da manhã, que na Ásia tem mais cara de almoço que desjejum, passando pelas comidinhas de rua, a aparência das pessoas, a cor dos táxis, a correria dos tuk-tuks, os ônibus-barco até enfim, chegarmos ao primeiro templo. E nesse momento,  já estamos completamente arrebatados por essa cidade e sua cultura. 

 Táxis coloridos de Bangkok
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Tuk-tuk

Bangkok consegue a mágica de ser uma cidade imensa e cosmopolita, com gente do mundo todo e arranha-céus,  ao mesmo tempo em que resguarda templos e tradições intocadas. É uma cidade de contrastes do início ao fim, o profano  e o sagrado, o estrangeiro e o local, templos e prostituição, luxo  e  simplicidade, o comum e o exótico, o caos e a harmonia, tudo se mistura e convive pacificamente.

Mas compreender a cultura tailandesa passa obrigatoriamente pelo Budismo e pelos templos, tema das próximas postagens.

  Preparem seus corações.