Fotografar  paisagens, pontos turísticos e pessoas faz parte de qualquer viagem, mas nem sempre conseguimos o resultado esperado em nossos registros. Quem nunca passou pela frustração de olhar as próprias fotos após uma viagem espetacular, que atire a primeira pedra!  Mas o fato é que, com um pouco de treinamento e atenção a alguns detalhes, é possível fazer lindas fotografias sem a necessidade de equipamentos caros ou conhecimento aprofundado.

 

1- Conheça seu Equipamento

A fotografia nunca foi tão democrática como na era dos smartphones, tablets e  câmeras digitais. Existem equipamentos pra todos os gostos e bolsos, e você não precisa gastar fortunas pra ter belas fotos de sua viagem! Mas para aproveitar todos os recursos que sua câmera oferece, é importante ler o manual e testar as funções disponíveis. Deixar pra procurar na hora H certamente vai te fazer perder tempo e belos clicks.

Conheça também a limitação de cada equipamento. O celular é o recurso mais prático, mas pode haver restrição quanto à memória, menor duração da bateria e impossibilidade de fotos aquáticas, por exemplo. Uma Go-Pro, por outro lado, vai render belos vídeos e fotografias de mergulho, esportes e paisagens mais amplas, mas não é ideal para retratos ou fotos noturnas. Já as câmeras tradicionais, sejam elas profissionais ou não, oferecem mais recursos, opções de lentes, filtros, flashes, mas além do custo elevado, representam um peso a mais na mochila  e perdem no quesito praticidade. Tablets só devem ser usados em ultimo caso. São espetaculares para a visualização de imagens, mas as câmeras costumam ser inferiores à dos celulares. Além disso, pelo tamanho exagerado, ficam meio desengonçados pra permitir  um enquadramento legal e  foco perfeito. Existem ainda as câmaras analógicas, as descartáveis e as de revelação instantânea. Cada uma com seu charme próprio.

Outro aspecto importante é a configuração da qualidade da imagem. Opte sempre pela  melhor definição possível, mas lembre-se que isso vai exigir mais espaço na memória do seu equipamento.

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Smarphones são os equipamentos mais práticos para fotografia em viagens. Escolha aparelhos com câmera de alta qualidade.

2- Acessórios

Depois de escolher que equipamentos levar, certifique-se de levar na mala todos os acessórios  necessários: Carregador, baterias extra, cartões de memória, filtros, lentes, adaptadores de tomada, cabos USB, power bank, etc.

É interessante também pensar numa estratégia de backup, que pode ser feito em alguma nuvem (dropbox, icloud, etc.) ou em um HD externo. E não se esqueça de carregar diariamente suas baterias! Já me aconteceu de levar um celular e duas câmeras pra um passeio e ainda consegui ficar sem bateria nos três! (Imperdoável, gente!)

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3- Modos Automáticos

As câmeras digitais apresentam inúmeros modos pré-definidos para facilitar a vida de quem não tem experiência na configuração de parâmetros como tempo de exposição, abertura, ISO, controle de branco, etc. Se você não se interessa por estudar   fotografia a fundo, deve pelo menos investir um tempinho entendendo quando usar cada um destes modos. Os mais comuns são:

  • Retrato:  foca na pessoa/objeto mais próximo, podendo dar um efeito de desfoque na paisagem de fundo. Dependendo das condições de luz, tende a disparar o flash automático.
  • Paisagem:  ideal para grandes cenários, grupo de pessoas ou paisagens, como diz o próprio nome.
  • Macro:  representado por aquela florzinha, é um modo para fotografia para pequenas distâncias.  Um prato  de restaurante,  um  olho de perrinho, uma flor…  Lentes especiais para macro são as responsáveis por aquelas fotos maravilhosas de texturas, insetos, gotículas d´água, etc.
  • Esporte: para fotografia de objetos em movimento. Pode aparecer também com o nome “Animais/Crianças” (hahahahaha), afinal, eles são objetos eternamente em movimento.
  • Noturno: neste modo, o tempo de exposição é mais longo, para captar melhor a luz escassa no ambiente. Pode ser usado para aqueles traçados com lanternas ou faróis de carros, por exemplo, mas para conseguir fotos bonitas, é necessário usar um tripé ou improvisar um suporte para a câmera, caso contrário as fotos estarão tremidas e desfocadas. Dica de ouro – desista de fotografar a lua sem tripé! Tudo o que vai conseguir é um pontinho branco e borrado na sua foto.
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Ícones para os modos automáticos

4- Inspire-se!

Antes de viajar, dê uma olhada nos principais lugares a serem visitados, veja blogs, sites de viagem e abuse do Instagram para  se inspirar. Isso ajuda também a desenvolver o “olhar fotográfico”. Observe o enquadramento, o aproveitamento da luz e das sombras, os ângulos criativos, molduras naturais, poses interessantes.

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5- Luz

“Fotografar é desenhar com luz” – definição clássica de fotografia. Portanto esteja atento à luz do ambiente  onde se deseja fotografar.

  • Prefira sempre a luz natural, aproveite  a “golden hour”, ou seja,  a hora dourada, do amanhecer e do entardecer.  Esse é o momento predileto dos fotógrafos, pois a luz  tem incidência mais oblíqua e suave, dando um efeito quase mágico às imagens;
  • Evite retratos por volta do meio dia, pois a luz neste horário produz brilhos e sombras indesejáveis, como abas de chapéus  e realce de olheiras;
  • Ao fotografar um objeto contra um fonte de luz, como nas clássicas imagens de pôr-do-sol, você tem duas opções: ou foca na luz e faz da pessoa/objeto uma linda silhueta, ou utiliza uma fonte de luz para iluminar o rosto da pessoa fotografada;
  • Em todas as outras situações,  fuja das fontes de luz como fundo. Observe se há  luz entrando por janelas e portas, ou postes e lustres, e permita que a luz ilumine o objeto de forma forma frontal (ou  lateral, para um efeito ainda mais bonito).
  • Sombras e reflexos também podem render belas fotos!

 

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6- Evite o Flash e o Zoom

Além de conseguir um aspecto mais elegante com  a luz natural, ao descartar o  flahs você evita que a foto fique com áreas de brilho excessivo, reflexos em superfícies lisas, pessoas fantamagóricas, e aquele aspecto “chapado” da imagem, com perda de textura e profundidade. A  Se uma fonte de luz for imprescindível, utilize um bastão de luz, ou uma lanterna mais distante por exemplo. Outra alternativa é o uso de difusores, que você pode improvisar colocando um guardanapo sobre o flash da câmera para suavizar o efeito da luz direta. Um dos raros momentos em que o flash pode ser realmente necessário, é o exemplo do pôr-do-sol citado no item anterior, se a idéia for mostrar o objeto/pessoa fotografada e não apenas uma silhueta.

 De qualquer forma, lembre-se de que o flash tem um limite de alcance, e de nada adianta usa-lo para iluminar a lua por exemplo. O mesmo vale para um palco distante, onde o flash só serve pra ofuscar os artistas e fazer brilhar as cabeças na sua frente. Vai por mim, elimine o flash da sua vida.

Quanto ao zoom,  utilize apenas se sua câmera tiver a opção de lentes que “esticam” para frente. Nos celulares e tablets isso não é possível, ou seja, todo zoom é obtido com perda da qualidade de imagem e da noção de profundidade,  muitas vezes impossibilitando a impressão da fotografia ou sua utilização em telas de maior diâmetro.

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7- Onde posicionar os objetos fotografados?

 A composição da sua fotografia, ou seja, aquilo que você quer que esteja na imagem deve ser calculado com algum cuidado.  Uma regra clássica é a “Regra dos Terços”, que consiste em dividir a imagem em nove quadrantes como um “jogo” da velha e posicionar o objeto principal no cruzamento dessas linhas.   Imagens no centro são mais interessantes quando existe uma simetria na imagem, mas na maioria das paisagens, posicionar o objeto nos terços laterais  resulta em fotos mais charmosas e composições mais equilibradas. O mesmo vale no sentido vertical, ao fotografar o horizonte, posicione-o no terço superior  ou inferior, ao invés de do meio da fotografia, e procure deixar sua imagem paralela à essa linha, sem inclinações.

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Obsrve a linha do horizonte sem inclinações e posicionada no terço superior da imagem. Objeto principal no centro devido à simetria da paisagem de fundo.

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8-  Atenção aos detalhes

Muitas pessoas pecam em suas fotografias por não prestar atenção à detalhes que fazem toda a diferença! Pessoas atravessando o fundo da imagem, galhos ou sombras que geram efeitos estranhos (chifres, por exemplo! Rs), sobreposição de imagens, lixeiras, portas abertas, roupas no varal, etc.  Após posicionar o objeto principal, observe a imagem global no visor, analise também os quatro cantinhos pra ter certeza de que não há um pedaço do telhado ou uma sombra do seu dedo aparecendo.

Analise ainda se as pessoas que são objeto da sua fotografia não estão em posições estranhas ou  sendo cortadas de forma indesejada. Um pé fora do enquadramento, um tampo da cabeça, uma pessoa na lateral do grupo, etc.

 Os cortes mais elegantes são feitos fora das articulações (“juntas”), pra evitar o aspecto de “amputação”. Ou seja, não há nenhum pecado em cortar pessoas (só nas fotos, gente!!) mas faça os cortes na  altura do busto (e não do pescoço) se quer um retrato mais próximo,  na linha da cintura para meio corpo, no meio da coxa  ou da perna se a pessoa está mais distante (não corte nos cotovelos, joelhos e tornozelos). Use os cortes também como estratégia para eliminar da fotografia  uma barriguinha a mais, um braço mais gordinho, um pé engessado,  um chinês plantado ao lado da sua fotografia, uma grade, um guindaste fora do contexto, etc.

Por outro lado,  faça registros de detalhes que muitas vezes desprezamos:  placas interessante, grafites, crianças brincando, trabalhadores na rua, feiras de artesanato, pessoas com roupas típicas, placas, detalhes arquitetônicos, letreiros, janelas, tudo que for diferente, único ou que por algum motivo representa a essência do lugar e da cultura local.

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Caveira típica do artesanato mexicano. Foto: Fernanda Carvalho

9-  Brinque com os planos

Você já deve ter visto por aí pessoas segurando monumentos como a torre Eiffel ou as Pirâmides do Egito, certo? Essas imagens são possíveis quando se trabalha com as perspectivas em diferentes planos. Objetos mais próximos, parecem maiores que objetos distantes. Por isso, para fotografar grandes objetos,  afaste-se deles, ou não caberão no enquadramento.

Em contrapartida, se você pedir que seu amigo se aproxime do  monumento lá no fundo, ele pode não ser sequer reconhecido na fotografia, de tão pequeninho. Então o segredo é: afaste-se do monumento e peça para que a pessoa fotografada aproxime-se mais de você do que do objeto de fundo. Aproveite pra usar a regra dos terços, posicionando-a na lateral da foto e deixando o restante da imagem para a paisagem desejada.

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Meu pai, segurando um Transformer de uns 10m de altura!             Foto: Fernanda Carvalho

 

10 –  Explore novos ângulos

Tire sempre mais de uma foto em lugares ou situações importantes. Teste diferentes enquadramentos, novos cortes e ângulos. Fuja do óbvio, movimente-se para os lados, capte um perfil, deite no chão, suba numa árvore, olhe para cima! As fotografias de viagem mais impressionantes foram feitas em lugares visitados por milhares de pessoas que não foram capazes de “olhar” daquela maneira.

Uma estratégia que sempre rende belas fotos é a utilização de molduras naturais, como janelas, pedras furadas e galhos de árvores. Observe  também imagens refletidas  na água e   sombras que possam complementar a imagem principal.

O mesmo vale para os fotografados, que devem evitar poses sorrindo de frente para a câmara com a mão na cintura, por exemplo. Claro que toooooodos nós fazemos isso! Mas para fotografias mais bonitas e um toque artístico, experimente fotografar seu colega de costas ou perfil, olhando para uma paisagem, caminhando, ou tocando algo. Mesmo posando, finja que não! Entendeu? (risos!)

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11- Não Abandone suas Fotos

A captura das imagens não finaliza seu trabalho fotográfico. Ao chegar em casa, organize suas imagens, elimine fotos muito ruins ou repetidas, separe os locais e eventos em subpastas que facilitem a localização das imagens, e faça as correções necessárias,

Hoje em dia exitem inúmeros programas para PC e aplicativos para celular que permitem realizar correções básicas e aplicação de filtros sem grandes conhecimentos de edição de imagens. É possivel alinhar o horizonte, fazer cortes mais interessantes e corrigir  brilhos, sombras e cores com poucos cliques.  Mas nada de exagero, pessoal! Fotos muito editadas ficam com aspecto artificial e perdem muito da beleza original. Quanto aos filtros, prefira sempre usa-los na fase de edição, e nunca no momento de fazer a fotografia. Isso permite que você tenha o original e teste depois quantos filtros quiser.

Selecione as melhores fotos e crie álbuns  nas redes sociais. Você tem a opção de deixa-los ocultos ou determinar um grupo de pessoas que possa visualizar suas fotos. Outra forma bem bacana de guardar suas memórias fotográficas, são os photobooks. Existem inúmeras empresas que permitem a montagem dos albúns online, onde você escolhe as fotos, o fundo e a diagramação das imagens e depois recebe em casa um lindo livro de fotografias.

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12 – Tire os olhos do visor

Veja com os próprios olhos aquilo te cerca!  Aproveite a viagem para conhecer outros viajantes e moradores da região. Deguste a cozinha local, caminhe muito pelas ruas, participe de festejos, assista ao pôr-do-sol sem se preocupar tanto em fotografá-lo. Não se exceda nos clicks  e resita à tentação de registrar absolutamente tudo, tornando superficiais suas experiências de viagem. Respeite as pessoas que vivem no local, não seja invasivo, peça autorização para  estranhos se eles perceberem que estão sendo fotografados.

Em resumo, viva com intensidade a oportunidade de conhecer um lugar diferente, registre em sua memória aquilo que câmera alguma será capaz de captar ou traduzir.