Ayutthaya: Capital do Reino de Sião

Localizada a 80km ao norte de Bangkok, Ayutthaya foi a primeira capital da Tailândia, fundada no século XIV quando a região ainda era conhecida como  Sião, ou Reino de Ayutthaya. Estrategicamente situada entre China e Índia,  e com um porto que dava acesso à Europa e Japão, Ayutthaya, foi um grande centro comercial, chegando a ser a  cidade mais populosa do mundo, com 1 milhão de habitantes no século XIII.

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Foi capital do reino por 400 anos, até que em 1767, após inúmeras guerras e tentativas de invasão, acabou sendo destruída pela Birmânia, reino vizinho, onde hoje existe Myanmar.  A guerra e os incêndios devastaram a maior parte da cidade, incluindo os mais de 1500 templos existentes .  Ao contrário de Sião, que era budista, o Império Birmânico era essencialmente hindu e, por isso,  um forte símbolo da dominação birmânica neste período  são os budas decapitados que vemos em algumas ruínas que sobreviveram à guerra e ao tempo.

Em 1768, os birmânicos foram expulsos do território que em 1939 constituiria a Tailândia. Nessa mesma data,  uma nova capital foi fundada ao sul de Ayutthaya, nascendo assim, Bangkok. Hoje a província de Ayutthaya faz parte da Tailândia e tem como principal atrativo a Cidade Histórica de Ayutthaya, reconhecida como Patrimônio da UNESCO em 1981.

Como Chegar?

A forma mais prática de chegar à Cidade Histórica de Ayutthaya é contratando em Bangkok o passeio de um dia com alguma das inúmeras agências que existem por lá.  No nosso passeio o deslocamento foi feito em uma van com ar condicionado e serviço de  guia. Costumam também incluir  garrafinhas de água no caminho e o almoço em um restaurante local, mas as entradas nos templos são compradas individualmente lá na hora, uma vez que não existe um ingresso único para todas as atrações. O  valor de cada entrada fica entre 20 a 50 Baht, equivalente a 2-5 reais em cada templo.

Pra quem quer um passeio mais econômico ou deseja andar por conta própria pelos templos, é possível chegar por trem ou ônibus. Todas as opções levam entre 1h30m e 2h, saindo de Bangkok, mas quem vai por conta própria tem que contratar na cidade um táxi ou tuk-tuk pra  rodar entre os templos que ficam bem distantes uns dos outros.  Importante escolher um motorista credenciado ou indicado por alguma agência pra não ser extorquido ou enganado.  Outra possibilidade, é alugar um bicicleta, mas saiba que será necessário pedalar bastante, inclusive entre os carros na cidade, e o calor do local torna essa opção quase insana.

Pra quem incluir  Chiang Mai/Chiang Rai no roteiro,  já pode carregar a bagagem toda pro passeio e  no final do dia pegar um trem seguido  viagem para o norte,  ao invés de retornar para Bangkok.

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Principais Templos na Cidade Histórica de Ayutthaya

O que visitar em Ayutthaya?

O passeio a Ayutthaya é uma viagem ao passado, com uma brusca mudança de cenário pra quem sai de Bangkok. Logo na chegada, nos deparamos com os primeiros elefantes que vimos no Sudeste Asiático, mas apesar do encanto inicial, recomendo fortemente que NÃO FAÇAM esse passeio. Os bichinhos são claramente maltratados, e os turistas andam em cadeiras de madeira fixadas ao dorso dos animais que caminham até pelo asfalto.  Reservem a experiência com elefantes para reservas e santuários que existem no norte da Tailândia e Laos.

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A grande estrela de Ayutthaya é o  Parque Histórico, que  inclui uma grande quantidade de ruínas e templos. Por ter sido uma cidade que interligava diversas civilizações, Ayutthaya recebeu influência de várias culturas, que se refletem  nos elementos arquitetônicos com templos ao estilo khemer, do Camboja, outros ao estilo birmânico, e ainda traços da arquitetura chinesa e até mesmo européia, segundo historiadores.

Seria impossível visitar todos eles em um único dia, mas alguns deles são simplesmente emblemáticos e podem ser vistos em um roteiro-bate volta, como o nosso.  O Parque funciona todos os dias, de 08:00 às 18:00, e no nosso passeio visitamos os seguintes templos:

Wat Phu  Khao thong

Nossa primeira parada foi neste monastério de aspecto piramidal construído em 1935, e conhecido como a “montanha dourada”.  Este é um dos poucos templos onde se pode ter uma vista panorâmica da região, então encaramos  a escadaria de 72 degraus sob um sol de rachar! Mas  garanto que vale todo o esforço, pois além do belo cenário, a sensação de paz e tranquilidade ali em cima contrasta com tudo que havíamos visto até então em Bangkok. DCIM100GOPROGOPR0831.

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Logo ao  lado,  funciona um pequeno templo com inúmeras imagens de Buda e um pouco mais  adiante as construções onde vivem atualmente os monges.

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Wat Mongkol Bohit

Foi o Grand Palace de Ayutthaya, construído e 1538  mas incendiado durante a guerra. Foi reconstruído apenas em 1957  e hoje é conhecido por abrigar um grande buda ( 12,45m de altura, sem a base),  datado do século XV. Embora fosse originalmente de cobre, foi  posteriormente revestido por 200kg de ouro!

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Wat Phra Sri Sanphet

Era o templo mais suntuoso de Ayutthaya,  anexo ao Grand Palace,  onde vivia a família real. Mesmo em ruínas, é impossível não se render à beleza e grandiosidade de  suas três imensas estupas sob as quais foram depositados os resto mortais de 3 reis.

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Eu, lá na pontinha da Estupa – pra ser uma idéia da dimensão de cada uma.

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Wat Mahatat

Conhecido também como “O Templo das Grandes Relíquias”, durante a guerra foi transformado em ruínas, dentre as quais podemos ver  ínumeros budas sem cabeça,  remanescentes da dominação birmânica.

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Este é também, o local onde encontramos a imagem mais emblemática de Ayutthaya: a cabeça de buda entrelaçada nas raízes de uma árvore, e confesso que essa imagem foi, desdo o  início,  minha motivação para incluir Ayutthaya em nosso roteiro.

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Não se sabe exatamente se após as decapitações das estátuas, a cabeça foi naturalmente envolvida pelas raízes, ou se foi deixada propositalmente no local, mas o fato é que a natureza fez sua obra de arte e  preservou ali  a única cabeça dentre tantos corpos acéfalos ao redor. Embora muitos relatem desapontamento com o tamanho do buda, eu achei simplesmente maravilhoso!  Este é um dos pontos mais concorridos para fotos, mas é  importante prestar atenção ao protocolo  de se abaixar perante a imagem e não tocá-la, como sinal de respeito ao que ela representa.

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Wat Zokoya Sutta

Aqui nos deparamos com outro monumento impressionante,  um imenso buda reclinado gigante, que não chega a ser tão suntuoso como o  buda dourado de Wat Pho, em Bangkok, mas mesmo assim atinge 37 metros de comprimento e 8 de altura.

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Neste templo vimos muitas pessoas prestando suas homenagens com flores, incenso e velas. Outro ritual comum nos templos budistas, é  a colocação de folhas de outro sobre a imagem de Buda, neste caso sobre uma pequena réplica do buda reclinado. Nós não chegamos a participar da cerimônia, mas não é nada fácil driblar as insistentes vendedoras de flores e pequenas imagens de buda que ficam por ali à caça de um turista.

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Além de todo seu simbolismo religioso, diz a lenda que essa imagem foi a inspiração para um dos cenários do jogo Street Fighter! Os antigos entenderão 😉

Wat Yai Chai Mongkol

Este é um  dos templos mais preservados de Ayutthaya, mas inacreditavelmente, não fez parte do nosso roteiro devido a um atraso no início do passeio. Eu  fervo de raiva toda vez que vejo as fotos desse lugar e imagino que estivemos tão pertinho  e não chegamos a conhecê-lo. Fica como aprendizado, para pesquisar sobre os pontos a serem visitados antes de fechar o passeio e checar se o roteiro proposto está sendo cumprido.

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Foto: Iris (Flickr) CC-BY
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Foto: sweet_redbird (Flickr) – CC-BY

 

Wat Chai Watthanaram

Por fim, mais um  lindíssimo e importante templo de  Ayutthaya que também não fez parte do nosso roteiro, mas que não poderia deixar de ser citado, já que é um dos pontos mais visitados da cidade histórica.

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Foto: François Phillipp (Flickr) CC-BY

Este templo foi construído no século XVII e era usado para realização de cerimônias da família real. Foi restaurado nos anos 90, mantendo-se a configuração original do complexo, em que  a construção central estilo khemer (Camboja), faz referência a uma montanha  de grande simbolismo no budismo, enquanto as quatro torres  ao redor representam  os  outros continentes do planeta, e o pátio, os 7 oceanos, conforme a cosmologia budista.   Ali também são observadas várias estátuas de buda, também  decapitadas durante a invasão do exército birmânico.

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Foto: Francesca (Flickr) CC-BY

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Esse artigo faz parte da Blogagem Coletiva dos Pequenos Grandes Viajantes. Nessa data, mais de 30 blogs em língua portuguesa, publicaram simultaneamente artigos com o tema “Patrimônios da Unesco”. Confiram!

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